Desde pequena escuto meu pai dizer: “Filha se conhece um homem pelos sapatos que ele esta usando”, e naquela época eu realmente não entendi o porquê. Do lado feminino da família tinha minha mãe, a terapeuta comportamental, que usava umas roupas diferentes de todas as outras mães no nosso colégio, e, sinceramente, eu e minha irmã morríamos de verginha deste fato.
Hoje, agradeço a eles por ter me tornada o que sou pelas coisas esquisitas que eles me diziam que eu não entendia nada e peco desculpas por todo trabalho que dei por não os entendes.
Sei que eu gastava tanto, mas tanto com roupas de mesma marca (porque eu sempre fui assim, fiel e sem paciência para ficar andando de uma loja para outra), que gastava todo o dinheiro da minha gorda mesada e meus cachês que recebia como modelo fotográfico na loja. Foi ai que, com 14 anos, decidi trabalhar na loja. Meu pai não deixou, minha mãe apoiou, e me levou para trabalhar durante um mês escondida do meu pai, até o dia em que ele descobriu tudo e, visto o gasto mensal que havia diminuído, acabou aceitando a idéia.
Foi ai que eu conheci o paraíso das loucas por sapatos, uma lojinha na Zona Norte de São Paulo, que hoje virou uma mega store, diga-se de passagem, e comecei a levar minha irmãzinha de 12 anos de ônibus para as compras comigo.
São tantos os casos de abuso de consumo que eu poderia passar horas, dias, até mesmo anos, para contá-las uma a uma....mas no final, acabei por entender o que meu pai quis dizer....melhor ter uma PEC;a com a qual você estará bem vestido aonde for e que durara para toda vida, do que ter um guarda-roupa abarrotado de coisinhas bem menos do que mais.
Mas a verdade é que as coisas que herdei de minha mãe e vós, são as melhores coisas que tenho (e graças a Deus, minha irma trabalha num ramo de atividade completamente diferente do meu...rsrssrs).
Como os sapatos entraram na minha vida....quer saber....acho que eles sempre estiveram lá!